Por Drumnbass.com.br

Tradução: Lucas Portilho

English Version

Primeiramente gostaríamos de lhe dizer um “muito obrigado” por esta entrevista. Importante sabermos que produtores de outros países olham para o nosso trabalho com muito respeito.

Drumnbass.com.br: Nos conte como foi o começo da Symmetry Recordings. Quais foram os maiores desafios e como mantém a qualidade musical da gravadora por tanto tempo?

Break: Eu comecei a gravadora em 2006. Eu tenho lançado músicas em diversos outros selos dedicados ao Drumnbass, e algumas pessoas me deram alguns conselhos de como começar a minha própria gravadora também.
Eu tive que produzir muita música para que, consequentemente, eu tivesse um bom senso do que é bom para se lançar e como se deve lançar. Os maiores desafios são relacionados ao tempo e o dinheiro nos dias de hoje. Escolher boas músicas é a parte divertida, e há sempre coisas boas por aí, mas ter tempo e recursos para competir com outras gravadoras para, assim, garantir um lançamento de sucesso é o principal desafio.

Drumnbass.com.br: Em 2013 você remixou uma música do produtor brasileiro Nitri que saiu pelo selo Horizons Music, desde então o que você tem ouvido dos produtores brasileiros? O que mais te agrada nas produções feitas por produtores brasileiros?

Break: Recentemente, eu não tenho ouvido muitos Drumnbass produzidos por brasileiros. Para ser honesto, de primeira eu não tinha percebido que o Nitri era do Brasil. Eu era um grande fã do Marky e do Patife quando eles estavam lançando músicas com uma forte influência da identidade latina, eu amo música latina em geral e eu acho que a vibe e o som trabalham de forma bem homogênia com o Drumnbass. Eu amaria ouvir mais músicas de Drumnbass com este tipo de influência vindo de novos produtores brasileiros.

Drumnbass.com.br: O catálogo de músicas do seu selo é consideravelmente vasto, como você escolhe os artistas que farão parte da Symmetry Recordings?

Break: Eu simplesmente escolho as que eu realmente gosto. A gravadora é somente um reflexo do meu gosto musical. O que pode ajudar, é se a produção for um tipo de faixa que eu gostaria de tocar em um DJ set, mas eu também gosto de escolher as músicas que tenham um bom conteúdo e talento independente de ser uma faixa tocável em um clube [por exemplo].



Drumnbass.com.br: Qual é o segredo para produzir músicas ao longo dos anos com uma qualidade acima da média? Quais os equipamentos que você tem no seu estúdio que o auxiliam no resultado final?

Break: Uma grande parte do som se resume em gosto e estilo ao invés de equipamento. É mais uma visão de como a faixa deveria soar e, então, usar um determinado equipamento para alcançar um objetivo. Eu gosto da idéia de trabalhar com equipamentos analógicos que me ajudam a alcançar um som orgânico, mas alguns plugins digitais podem trabalhar de forma similar nos dias de hoje.
Eu uso o Logic 9 para fazer a maioria das minhas músicas, faz mais sentido para mim. Eu, definitivamente, prefiro fazer música do que ser um eventual programador de computador. O meu trabalho se resume em prática e desejo de continuar tentando até deixar tudo da forma que eu quero.

Drumnbass.com.br: Você se mudou para Bristol a 9 anos, o que fez você deixar Londres para estabelecer uma residência em Bristol? Como está a sua participação na cenário local hoje em dia?

Break: Para mim Londres morreu como um lugar para se viver. É muito caro e muito grande para se deslocar, eu ainda tenho ido a Londres para visitar a minha família, mas levando em consideração a qualidade de vida do dia a dia, Bristol está muito mais de acordo com o meu jeito de viver.
Bristol sempre teve uma boa cultura para artistas, então existem muito mais pessoas para se conhecer, além da vida noturna ser ótima.



Drumnbass.com.br: Ao mesmo tempo que você produz músicas energéticas para o dancefloor, podemos ouvir em sua discografia músicas que são sinônimo de maestria musical, principalmente as produções com Kyo, nos conte um pouco sobre essa parceria que já dura anos.

Break: Nós nos conhecemos em Londres há 13 anos atrás. Ela precisava de um produtor para os seus vocais e eu estava procurando por uma vocalista para trabalhar comigo.
Nós temos um gosto musical bem similar e o nosso trabalho é bem ajustado. Ambos temos a mesma idade, então nós crescemos ouvindo a mesma música, fato que, definitivamente, influenciou o nosso trabalho juntos.
Nós gostamos de músicas para pista, mas preferimos trabalhos mais melódicos que combinam as duas características.



Drumnbass.com.br: Quais são suas influências musicais dentro do Drumnbass?

Break: Eu cresci ouvindo artistas, como, por exemplo: Dillinja, Konflict, No U Turn, Origin Unknown, LTJ Bukem, Bad Company e muitos outros. Eu conheci o Drumnbass a partir do jungle, então muito da minha inspiração vem da metade dos anos 90.
Existem várias músicas boas nesta época, de todos os gêneros.

Drumnbass.com.br: Fora do Drumnbass sabemos que você é um dos membros do Degrees of Freedom, nos conte um pouco sobre esse projeto, e quais inspirações você utiliza para produzir fora do Drumnbass?

Break: [Degrees of Freedom] é uma banda que começou com a Kyo, principalmente, para fazer músicas fora do universo do Drumnbass. Nós iniciamos o grupo a poucos anos atrás, porque nós dois sempre escrevemos músicas, sem ser Drumnbass, e queríamos mostrar nosso gosto musical eclético.
Recentemente, um guitarrista talentoso chamado Mace, começou a trabalhar conosco no estúdio e em shows ao vivo. Também estamos começando a ensaiar com um baixista “malvado” e um baterista “doentio” para intensificar as nossas performances ao vivo.
Originalmente, as influências da banda foram Massive Attack e Portishead, ambas as bandas de Bristol. Nós também amamos Masters at Work e muitos artistas de hip hop e soul. Também gostamos de dub e reggae, gosto que tem feito parte do nosso som. Nosso primeiro lançamento, “Children of The Sun”, foi algo entre dub e reggae [inclusive].



Drumnbass.com.br: Atualmente muitos artistas utilizam as mídias sociais para se comunicar com o seu público, uns utilizam muito bem, outros nem tanto. Como você se comunica com o seu público? Qual a sua relação com as mídias sociais?

Break: Eu não sou um grande fã de redes sociais. De qualquer maneira eu não acho que beneficia muito bem a sociedade. Eu prefiro me conectar com o público através da boa música, ou com uma entrevista oficial como esta, ainda mais se for cara a cara.
Eu acho que muitos artistas usam redes sociais para inflar o seu próprio ego e inseguranças. Eu prefiro gastar meu tempo fazendo e vivendo música, do que retratando uma imagem irreal disto.
Eu sou consciente que muitas pessoas usam redes sociais, então uso a página do Facebook da Symmetry para compartilhar informações com fãs sobre eventos e lançamentos, mas espero que isso seja o limite para mim. O triste é que nos dias de hoje o número de plays ou seguidores é usado por lojas e o público para determinar a qualidade de uma boa música.

Drumnbass.com.br: Você já teve a oportunidade de fechar alguma data para tocar no Brasil ou na América do Sul? Quando teremos a honra de receber BREAK em terras Sulamericanas?

Break: Eu ainda não tive a honra de visitar a América do Sul. É um dos poucos lugares que eu adoraria viajar para visitar e apresentar o meu som. Eu conversei com o Marky recentemente sobre tentar organizar uma visita, então espero que um dia isto aconteça em um futuro próximo.



Drumnbass.com.br: Finalmente, nos conte um pouco sobre o seu futuro e da Symmetry Recordings.

Break: Nós vamos continuar lançado faixas de Drumnbass que tenham qualidades, produzidas por artistas talentosos que gostamos. Kyo tem trabalhado em um EP com produções que vão ter participações de diferentes produtores de Drumnbass em cada faixa.
O trabalho será lançado no começo de 2017. Eu pretendo focar em outros projetos como a Degrees of Freedom, mas é um pouco difícil não fazer Drumnbass. Eu já tenho algumas músicas “doentias” para serem lançadas no próximo ano.

Para saber mais sobre Break e seu selo Symmetry Recordings, acessem:

Facebook Symmetry Recordings

Soundcloud Symmetry Recordings

Confira abaixo o set exclusivo mixado por Break, especialmente para os jungists brasileiros.